Quando o verbo fazer indica tempo decorrido, ele é impessoal e deve permanecer na terceira pessoa do singular. Por isso, o correto é “faz cinco anos”, e não “fazem cinco anos”. A quantidade de dias, meses, anos ou séculos não determina a concordância, pois essa expressão temporal não funciona como sujeito do verbo. A mesma regra aparece em construções como faz duas semanas, fazia muitos meses e vai fazer dez anos.
Qual é a alternativa correta?
A questão apresenta quatro frases com diferentes formas do verbo fazer. Considerando que o verbo está sendo empregado para indicar a passagem do tempo, a alternativa correta é a letra B:
Resposta correta: B) Faz cinco anos.
Nessa construção, não existe uma pessoa ou coisa praticando a ação de fazer. O verbo apenas informa quanto tempo transcorreu. Por esse motivo, ele forma uma oração sem sujeito e permanece no singular. [1] [3]
Faz cinco anos que nos conhecemos.
Faz três meses que comecei o curso.
Faz muitas semanas que não chove.
Observe que as expressões cinco anos, três meses e muitas semanas estão no plural. Mesmo assim, o verbo continua no singular, porque essas expressões indicam a quantidade de tempo transcorrido, mas não são o sujeito da oração.
Por que o correto é “faz cinco anos”?
Em seu emprego mais comum, o verbo fazer pode indicar uma ação realizada por alguém. Nesse caso, ele é um verbo pessoal e concorda normalmente com o sujeito.
O estudante faz os exercícios.
Os estudantes fazem os exercícios.
Na primeira frase, o sujeito é o estudante; na segunda, o sujeito é os estudantes. Como o sujeito passou do singular para o plural, o verbo também se flexionou.
Entretanto, quando fazer indica tempo transcorrido, não há um sujeito com o qual o verbo possa concordar. Esse uso é chamado de impessoal.
Faz um ano que comecei a trabalhar aqui.
Faz dez anos que comecei a trabalhar aqui.
Faz muitos anos que comecei a trabalhar aqui.
A expressão temporal pode variar livremente, mas a forma verbal permanece no singular. Portanto, não se deve pensar que anos é o sujeito da frase. O plural do substantivo não obriga o verbo a ir para o plural.
O que é um verbo impessoal?
Um verbo impessoal é aquele empregado sem um sujeito gramatical. Na classificação tradicional ensinada nas escolas, as construções formadas por esses verbos são chamadas de orações sem sujeito.
Como não existe sujeito, o verbo impessoal costuma aparecer na terceira pessoa do singular. É o que ocorre com fazer nas indicações de tempo decorrido: [3]
Faz duas horas que estou esperando.
Fazia três meses que eles não se encontravam.
Fez uma semana ontem que a loja foi inaugurada.
Fará dez anos em dezembro que concluímos o projeto.
O singular não significa que o período mencionado precisa ser formado por uma única unidade. A impessoalidade permanece mesmo diante de expressões como duas horas, três meses, dez anos ou vários séculos.
Regra fundamental: se o verbo fazer estiver indicando tempo decorrido, use-o no singular, independentemente da quantidade apresentada depois dele.
O verbo fazer fica sempre no presente?
Não. A impessoalidade não obriga o verbo a permanecer no presente. Ele pode aparecer em diferentes tempos verbais, desde que continue na terceira pessoa do singular.
| Tempo verbal | Forma adequada | Exemplo |
|---|---|---|
| Presente | faz | Faz cinco anos que estudo português. |
| Pretérito imperfeito | fazia | Fazia dois anos que ela morava na cidade. |
| Pretérito perfeito | fez | Fez um mês ontem que o curso começou. |
| Futuro do presente | fará | Fará dez anos em outubro que a escola foi aberta. |
| Futuro do pretérito | faria | Faria três anos naquele mês que eles estavam juntos. |
O que permanece invariável não é o tempo verbal, mas o número: nas construções impessoais, utilizam-se faz, fazia, fez, fará ou faria, sempre no singular.
Correto: Fazia muitos anos que não nos víamos.
Incorreto: Faziam muitos anos que não nos víamos.
Correto: Fará vinte anos que o museu foi inaugurado.
Incorreto: Farão vinte anos que o museu foi inaugurado.
O que acontece quando há um verbo auxiliar?
A regra do singular também se aplica às locuções verbais. Quando um verbo auxiliar acompanha o verbo fazer impessoal, a impessoalidade é transmitida ao auxiliar. [1]
Vai fazer cinco anos que nos mudamos.
Deve fazer duas semanas que ele viajou.
Pode fazer alguns meses que a loja fechou.
Está fazendo dez anos que o projeto começou.
O primeiro verbo da locução não deve concordar com a expressão temporal. Por isso, construções como vão fazer cinco anos e devem fazer dois meses são inadequadas quando indicam tempo decorrido.
Correto: Vai fazer oito anos que trabalho aqui.
Incorreto: Vão fazer oito anos que trabalho aqui.
Correto: Deve fazer três dias que ela saiu.
Incorreto: Devem fazer três dias que ela saiu.
A presença de uma expressão plural depois da locução não altera o auxiliar. Se a construção indicar tempo decorrido, toda a locução permanece no singular.
Quando “fazem” e “fizeram” podem estar corretos?
As formas fazem e fizeram existem e podem ser empregadas corretamente. O erro ocorre apenas quando elas são usadas em uma construção impessoal de tempo decorrido.
Quando o verbo possui um sujeito plural e expressa uma ação, uma produção ou a conclusão de determinada idade, a concordância no plural é normal.
Os alunos fazem as atividades diariamente.
Os funcionários fizeram um relatório completo.
As crianças fazem cinco anos em dezembro.
Os gêmeos fizeram quinze dias ontem.
Nas duas últimas frases, há sujeitos claramente identificados: as crianças e os gêmeos. O verbo significa que essas pessoas completam ou completaram determinada idade.
Compare:
Faz quinze dias que os gêmeos nasceram.
O verbo é impessoal e indica tempo transcorrido.
Os gêmeos fizeram quinze dias ontem.
O verbo possui sujeito e significa que os gêmeos completaram quinze dias
de vida.
Essa comparação demonstra por que não se deve decorar apenas que “fazer fica sempre no singular”. O verbo fica no singular somente quando está sendo usado de maneira impessoal.
“Faz cinco anos” e “há cinco anos” têm o mesmo sentido?
Em muitas construções, faz cinco anos e há cinco anos podem indicar o mesmo período de tempo transcorrido. [2]
Faz cinco anos que comecei o curso.
Há cinco anos comecei o curso.
Nas duas frases, o início do curso é localizado cinco anos antes do momento em que se fala. Tanto fazer quanto haver são impessoais nesse emprego e permanecem no singular.
Faz muitos anos que não visito aquela cidade.
Há muitos anos não visito aquela cidade.
A possibilidade de substituir faz por há é uma estratégia útil para reconhecer o sentido de tempo decorrido. Se a substituição preservar o sentido principal da frase, o verbo fazer provavelmente está sendo empregado de maneira impessoal.
Teste de substituição: se “faz cinco anos” puder ser substituído por “há cinco anos”, mantenha o verbo fazer no singular.
Há cinco anos, a cinco anos ou daqui a cinco anos?
Além da concordância do verbo fazer, provas de língua portuguesa costumam explorar a diferença entre há e a nas expressões temporais.
Há: tempo passado
A forma há, do verbo haver, é empregada para indicar um período já transcorrido.
Conheci aquela cidade há cinco anos.
O curso começou há duas semanas.
A ou daqui a: tempo futuro
A preposição a pode indicar um período que ainda transcorrerá. Com frequência, ela aparece na construção daqui a.
A viagem ocorrerá daqui a cinco anos.
A prova começará daqui a duas horas.
Compare os sentidos:
Há cinco anos: cinco anos antes do momento atual.
Daqui a cinco anos: cinco anos depois do momento atual.
Em textos formais, evite construções redundantes como “há cinco anos atrás”. Como a forma há já indica tempo passado, prefira “há cinco anos” ou “cinco anos atrás”.
Tempo decorrido e duração são exatamente a mesma coisa?
As construções com fazer podem aparecer em frases que localizam um acontecimento no passado ou em frases que apresentam uma situação iniciada no passado e ainda em continuidade.
Acontecimento localizado no passado
Cheguei a São Paulo faz cinco anos.
A frase informa que a chegada aconteceu cinco anos antes do momento da fala. O acontecimento foi concluído, mas a expressão indica a distância temporal entre ele e o presente.
Situação que continua no presente
Moro em São Paulo faz cinco anos.
Nesse caso, a situação começou cinco anos antes e continua no presente. A interpretação completa depende do verbo principal e do contexto, mas a concordância de fazer permanece a mesma.
Estudo português faz três anos.
Trabalho nesta empresa faz seis meses.
Não o encontro faz duas semanas.
Fazer também é impessoal ao indicar fenômenos meteorológicos?
Sim. O verbo fazer também pode ser impessoal quando indica temperatura ou determinadas condições do tempo. [1] [4]
Faz calor nesta sala.
Fazia muito frio durante a madrugada.
Fez dias quentes naquele verão.
No último exemplo, o substantivo dias está no plural, mas o verbo permanece no singular: fez dias quentes. A lógica é semelhante à das expressões de tempo decorrido, pois o verbo não possui sujeito.
Entretanto, quando fazer indica uma ação praticada por um sujeito, a concordância volta a ocorrer normalmente:
Os artesãos fizeram belas peças.
As equipes fazem o planejamento semanal.
Análise das alternativas da questão
A) Fazem cinco anos.
Alternativa incorreta no sentido de tempo decorrido. O substantivo anos não funciona como sujeito do verbo. A forma adequada é: faz cinco anos.
B) Faz cinco anos.
Alternativa correta. O verbo fazer indica tempo transcorrido e, por ser impessoal, permanece na terceira pessoa do singular.
C) Fazem dois séculos.
Alternativa incorreta no contexto apresentado. Mesmo que a expressão dois séculos esteja no plural, deve-se escrever faz dois séculos.
D) Fizeram 15 dias.
Alternativa incorreta quando a intenção é indicar a passagem de quinze dias. Nesse sentido, deve-se escrever faz quinze dias ou, conforme o contexto passado, fez quinze dias.
A forma fizeram quinze dias somente poderia ser aceita com um sujeito plural, como em: “Os bebês fizeram quinze dias ontem.”
Como o tema aparece em vestibulares e concursos?
Questões sobre o verbo fazer costumam avaliar a concordância verbal, a identificação de orações sem sujeito e o reconhecimento de verbos impessoais. Muitas alternativas procuram induzir o candidato a concordar o verbo com uma expressão temporal no plural.
Assinale a alternativa de acordo com a norma-padrão:
A) Fazem vários meses que os resultados foram divulgados.
B) Devem fazer dois anos que a pesquisa começou.
C) Faz alguns dias que recebemos a notícia.
D) Haviam muitos anos que o prédio estava fechado.
A alternativa correta é a letra C. Nas demais construções, os verbos impessoais foram indevidamente colocados no plural.
A) O correto seria “Faz vários meses”.
B) O correto seria “Deve fazer dois anos”.
D) O correto seria “Havia muitos anos”.
Outro modelo frequente apresenta uma frase em que o verbo fazer possui sujeito, exigindo concordância normal:
Os pesquisadores _____ análises detalhadas há vários meses.
Resposta: fazem. Nesse caso, o sujeito é os pesquisadores, e o verbo significa realizar ou produzir.
Portanto, a resolução não deve depender apenas da presença da palavra anos, meses ou dias. É necessário verificar o sentido do verbo e identificar se existe um sujeito.
Como encontrar padrões e não se confundir?
Em vez de memorizar frases isoladas, é mais seguro seguir uma sequência de análise. Os passos abaixo ajudam a reconhecer rapidamente a forma adequada.
-
Verifique o sentido do verbo.
Pergunte se fazer significa realizar alguma ação ou se apenas informa quanto tempo transcorreu. -
Procure o sujeito.
Tente descobrir quem pratica a ação. Se ninguém pratica a ação e a frase apenas indica tempo, o verbo é impessoal. -
Faça o teste com “há”.
Se faz cinco anos puder ser substituído por há cinco anos, mantenha fazer no singular. -
Não concorde com a quantidade.
Palavras como anos, meses, dias e séculos podem estar no plural sem provocar a flexão do verbo. -
Observe os verbos auxiliares.
Em construções como vai fazer, deve fazer e pode fazer, o auxiliar também permanece no singular. -
Confira se há um sujeito expresso.
Em “As crianças fizeram cinco anos”, existe sujeito e o verbo concorda normalmente.
Padrão 1: substituição por “há”
Faz três meses que ele viajou.
Há três meses que ele viajou.
Como a substituição preserva o sentido de tempo passado, o verbo fazer é impessoal e fica no singular.
Padrão 2: pergunta “quem fez?”
Os alunos fizeram o trabalho.
Quem fez o trabalho? Os alunos.
Existe um sujeito claramente identificado. Por isso, o verbo concorda com os alunos.
Faz três anos que os alunos concluíram o curso.
Quem “faz” três anos? Ninguém.
A expressão apenas informa a passagem do tempo. Logo, o verbo é impessoal.
Padrão 3: quantidade plural não é sujeito
Faz um dia.
Faz dois dias.
Faz cem dias.
Faz muitos dias.
A quantidade muda, mas a forma verbal permanece igual. Esse padrão ajuda a evitar a concordância por atração com o substantivo plural.
Padrão 4: auxiliar também no singular
Vai fazer cinco anos.
Deve fazer cinco anos.
Pode fazer cinco anos.
A regra não atinge apenas o verbo principal. O auxiliar também fica no singular porque participa da construção impessoal.
Padrão 5: idade de alguém exige sujeito
A criança fez cinco anos.
As crianças fizeram cinco anos.
Aqui, fazer significa completar determinada idade. Como existem sujeitos expressos, a concordância é realizada normalmente.
Exemplos para revisão
Complete as frases com a forma adequada do verbo fazer:
- _____ três semanas que o professor publicou o resultado.
- _____ muitos anos que a família morava naquela cidade.
- Em dezembro, _____ dez anos que o museu foi inaugurado.
- Vai _____ seis meses que comecei o estágio.
- _____ dias bastante frios durante aquele inverno.
- Os estudantes _____ pesquisas para o seminário.
- As crianças _____ sete anos no próximo mês.
- _____ duas horas que estamos esperando.
- Devem _____ cinco anos que ele deixou a empresa.
- Os gêmeos _____ quinze dias ontem.
Respostas comentadas
1. Faz. O verbo indica tempo decorrido e permanece no singular: faz três semanas.
2. Fazia. A frase está no passado, mas a impessoalidade permanece: fazia muitos anos.
3. Fará. A construção está no futuro e continua no singular: fará dez anos.
4. Fazer. A locução correta é vai fazer seis meses. O auxiliar vai permanece no singular.
5. Fez. Ao indicar condições meteorológicas, o verbo é impessoal: fez dias bastante frios.
6. Fazem. O sujeito é os estudantes, e o verbo significa realizar ou produzir pesquisas.
7. Fazem. O sujeito plural as crianças completa determinada idade. Portanto, a concordância é normal.
8. Faz. A expressão indica que duas horas já transcorreram. O plural de horas não altera o verbo.
9. Fazer. A frase adequada é “Deve fazer cinco anos”. O auxiliar também precisa ficar no singular.
10. Fizeram. O sujeito é os gêmeos, que completaram quinze dias de vida. Não se trata de uma oração impessoal.
Erros frequentes e respectivas correções
| Forma inadequada | Forma recomendada | Explicação |
|---|---|---|
| Fazem cinco anos. | Faz cinco anos. | “Fazer” indica tempo decorrido. |
| Faziam muitos meses. | Fazia muitos meses. | O passado não elimina a impessoalidade. |
| Vão fazer dez anos. | Vai fazer dez anos. | O auxiliar também permanece no singular. |
| Devem fazer dois dias. | Deve fazer dois dias. | A expressão temporal não é sujeito. |
| Fizeram dias frios. | Fez dias frios. | O verbo indica condições meteorológicas. |
| Cheguei aqui a cinco anos. | Cheguei aqui há cinco anos. | “Há” indica tempo passado. |
Referências
- CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. Fazer para exprimir o estado do tempo. Disponível em: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa .
- CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. “Há cinco anos” versus “faz cinco anos”. Disponível em: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa .
- MICHAELIS. Noções gramaticais: verbos. Consulte especialmente a classificação dos verbos pessoais e impessoais. Disponível em: Michaelis On-line .
- MICHAELIS. Fazer. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível em: Michaelis On-line .
- PRIBERAM. Fazer. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em: Dicionário Priberam .
- PRIBERAM. Conjugação do verbo fazer. Disponível em: Dicionário Priberam .
- NEVES, Maria Helena de Moura. Guia de uso do português: confrontando regras e usos. São Paulo: Editora Unesp, 2003.


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