Revolução Francesa: causas, fases, acontecimentos e consequências

A Revolução Francesa foi um processo de profundas mudanças políticas, sociais e econômicas ocorrido na França entre 1789 e 1799. Durante esse período, a monarquia absolutista foi enfraquecida e posteriormente derrubada, os privilégios da nobreza e do clero foram abolidos e novos princípios, como liberdade, igualdade jurídica, cidadania e soberania nacional, ganharam força.

Ela não aconteceu de uma hora para outra nem teve uma única causa. A Revolução foi resultado da combinação de uma grave crise financeira, desigualdades sociais, aumento do preço dos alimentos, insatisfação política e circulação das ideias iluministas.

Para compreender esse acontecimento — e responder bem às questões de vestibular — é necessário conhecer o contexto da França no século XVIII, as principais fases da Revolução e as transformações deixadas por ela.

O que foi a Revolução Francesa?

A Revolução Francesa foi um movimento que alterou a organização política e social da França.

Antes de 1789, o país era governado por uma monarquia absolutista, na qual o rei concentrava grande parte dos poderes. A sociedade estava organizada em grupos conhecidos como Estados ou ordens, e alguns setores possuíam privilégios jurídicos, econômicos e fiscais.

Durante a Revolução, a ideia de que o poder pertencia naturalmente ao rei foi substituída pelo princípio de que a soberania deveria pertencer à nação ou ao povo. Esse processo conduziu à criação de constituições, à formação de assembleias representativas e, posteriormente, à proclamação da República.

A Revolução também modificou a noção de indivíduo. O antigo súdito do rei passou a ser pensado como cidadão, isto é, alguém que possui direitos e participa, direta ou indiretamente, da vida política.

O que era o Antigo Regime?

A expressão Antigo Regime é utilizada para designar a organização política, social e econômica existente na França antes da Revolução.

Politicamente, a França era uma monarquia. Luís XVI ocupava o trono desde 1774 e governava com base nas estruturas tradicionais da monarquia francesa.

Socialmente, a população estava dividida em três ordens:

Primeiro Estado: clero;

Segundo Estado: nobreza;

Terceiro Estado: burgueses, comerciantes, profissionais liberais, artesãos, trabalhadores urbanos, camponeses e todos aqueles que não pertenciam às duas primeiras ordens.

O Terceiro Estado reunia a grande maioria da população e suportava boa parte dos impostos e obrigações, enquanto setores do clero e da nobreza conservavam privilégios. Essa desigualdade provocava crescente insatisfação, principalmente porque os grupos privilegiados resistiam às tentativas de reforma tributária.

A sociedade francesa era dividida apenas entre ricos e pobres?

Não exatamente.

A divisão em três Estados não correspondia perfeitamente a uma separação entre ricos e pobres.

Dentro do clero, por exemplo, havia bispos e altos religiosos com grande riqueza, mas também padres que viviam em condições mais modestas. Entre os nobres, havia famílias extremamente ricas e outras com dificuldades financeiras.

O Terceiro Estado também era bastante diversificado. Nele estavam incluídos grandes comerciantes e proprietários, mas também camponeses pobres, trabalhadores das cidades e pessoas que enfrentavam dificuldades para comprar alimentos.

Essa diversidade é importante porque mostra que diferentes grupos participaram da Revolução com objetivos nem sempre iguais.

A burguesia desejava maior participação política, igualdade jurídica e liberdade econômica. Os camponeses buscavam o fim dos direitos feudais e das obrigações impostas pelos senhores. Os trabalhadores urbanos exigiam alimentos mais baratos, melhores condições de vida e medidas mais radicais contra os considerados inimigos da Revolução.

Quais foram as principais causas da Revolução Francesa?

A Revolução Francesa resultou da combinação de várias causas. Para uma prova, é importante não reduzir o acontecimento apenas à pobreza, às ideias iluministas ou aos gastos da família real.

Desigualdade social e privilégios

A sociedade do Antigo Regime era marcada por privilégios.

Clero e nobreza possuíam vantagens políticas, jurídicas e tributárias. Ao mesmo tempo, camponeses pagavam impostos ao Estado, tributos religiosos e obrigações ligadas aos antigos direitos senhoriais.

A burguesia, embora tivesse adquirido poder econômico, não possuía participação política proporcional à sua importância social. Isso aumentava o conflito entre uma sociedade em transformação e instituições que continuavam organizadas segundo antigos privilégios.

Crise financeira da monarquia

O governo francês enfrentava uma grave crise financeira.

A França havia participado de guerras caras, inclusive apoiando os colonos norte-americanos na luta pela independência contra a Inglaterra. Essa participação contribuiu para aumentar as dívidas do Estado.

Além disso, o sistema de arrecadação era ineficiente e desigual. As tentativas de criar novos impostos ou ampliar a tributação sobre os grupos privilegiados enfrentavam forte resistência.

Quando os Estados Gerais foram convocados, o governo possuía um grande déficit e precisava encontrar uma forma de aumentar suas receitas.

Crise agrícola e aumento do preço do pão

As más colheitas ocorridas nos anos anteriores à Revolução prejudicaram a produção de cereais e provocaram aumento no preço do pão.

O pão era um alimento essencial para grande parte da população francesa. Por isso, qualquer aumento expressivo em seu preço afetava diretamente as famílias mais pobres.

Em 1789, a falta de alimentos, os preços elevados e o medo da fome contribuíram para a revolta popular em Paris e em outras regiões da França.

Ideias iluministas

Durante o século XVIII, pensadores iluministas criticaram o absolutismo, os privilégios e a intolerância religiosa.

Autores como John Locke, Montesquieu, Voltaire e Jean-Jacques Rousseau discutiram temas como direitos naturais, liberdade, soberania, tolerância e divisão dos poderes.

Essas ideias não provocaram sozinhas a Revolução, mas ofereceram argumentos para questionar a ordem existente e imaginar outras formas de governo.

Os princípios iluministas influenciaram diretamente documentos revolucionários, especialmente a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Influência da Revolução Americana

A independência das Treze Colônias, declarada em 1776, mostrou que era possível desafiar uma monarquia e criar novas instituições baseadas em constituições e direitos políticos.

Franceses como o marquês de La Fayette participaram da Guerra de Independência dos Estados Unidos e entraram em contato com ideias republicanas e constitucionais.

Além de servir como exemplo político, a participação francesa no conflito agravou a situação financeira da monarquia.

Crise política

A monarquia não conseguia realizar as reformas necessárias.

Os grupos privilegiados recusavam-se a perder vantagens, enquanto o rei hesitava diante das propostas de mudança. A incapacidade de solucionar a crise financeira obrigou Luís XVI a convocar os Estados Gerais, uma assembleia que não se reunia desde 1614.

Essa convocação abriu espaço para uma disputa maior: a discussão deixou de ser apenas sobre impostos e passou a envolver a organização política da França.

O que foram os Estados Gerais?

Os Estados Gerais eram uma assembleia formada por representantes do clero, da nobreza e do Terceiro Estado.

Luís XVI convocou a reunião para tentar resolver a crise financeira. A abertura aconteceu em Versalhes, em 5 de maio de 1789.

Antes da reunião, a população foi convidada a registrar reclamações e propostas nos chamados cadernos de queixas, ou cahiers de doléances. Esses documentos reuniam pedidos de reforma vindos de diferentes partes do reino.

O problema central era a forma de votação.

Tradicionalmente, cada Estado possuía um voto. Assim, clero e nobreza podiam unir-se e derrotar o Terceiro Estado por dois votos contra um.

Os representantes do Terceiro Estado defendiam a votação individual, por deputado, porque possuíam maior número de representantes e poderiam receber o apoio de integrantes das outras ordens.

Sem acordo, os deputados do Terceiro Estado romperam com o sistema tradicional.

O que foi a Assembleia Nacional?

Em 17 de junho de 1789, os representantes do Terceiro Estado declararam-se Assembleia Nacional.

Com isso, afirmavam representar toda a nação francesa, e não apenas uma das três ordens.

Quando encontraram fechada a sala em que costumavam reunir-se, dirigiram-se a uma quadra utilizada para um jogo semelhante ao tênis. Ali, em 20 de junho, fizeram o chamado Juramento do Jogo da Péla.

Os deputados prometeram não se separar até que a França tivesse uma Constituição.

Esse acontecimento é importante porque marcou uma mudança na origem do poder: os deputados já não se apresentavam como simples representantes de uma ordem convocada pelo rei, mas como representantes da nação.

A Tomada da Bastilha

Em 14 de julho de 1789, a população de Paris atacou a Bastilha.

A Bastilha era uma antiga fortaleza utilizada como prisão. Naquele momento, mantinha poucos prisioneiros, mas possuía grande importância simbólica: representava o absolutismo, o poder arbitrário do rei e a possibilidade de encarceramento sem julgamento público.

A população também procurava armas e pólvora, temendo a presença de tropas reais ao redor de Paris.

A queda da Bastilha mostrou que a Revolução não seria conduzida apenas pelos deputados. A população urbana também se tornava uma força política importante.

O dia 14 de julho tornou-se posteriormente a data da festa nacional francesa.

O Grande Medo e o fim dos privilégios

Depois da queda da Bastilha, revoltas e rumores espalharam-se pelas regiões rurais.

Camponeses atacaram propriedades senhoriais e destruíram documentos que registravam obrigações feudais. Esse período ficou conhecido como Grande Medo.

Diante das revoltas, a Assembleia aprovou, durante a noite de 4 de agosto de 1789, a extinção de privilégios e direitos associados à antiga ordem feudal.

A decisão representou um dos golpes mais importantes contra o Antigo Regime. Embora algumas obrigações não tenham desaparecido imediatamente, o princípio dos privilégios de nascimento estava sendo rejeitado.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão

Em 26 de agosto de 1789, a Assembleia aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

O documento afirmava que os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. Também reconhecia como direitos naturais a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.

A Declaração estabelecia ainda que a soberania residia na nação e defendia a liberdade de opinião e de expressão.

Esse documento é uma das maiores heranças da Revolução Francesa e costuma aparecer em provas relacionado a:

  • Iluminismo;
  • igualdade jurídica;
  • direitos individuais;
  • soberania nacional;
  • combate aos privilégios;
  • formação da cidadania moderna.

É importante observar que a igualdade anunciada era principalmente jurídica. Isso não significava o desaparecimento imediato das desigualdades econômicas e sociais.

A participação das mulheres

As mulheres tiveram participação importante na Revolução.

Em outubro de 1789, milhares de mulheres marcharam de Paris até Versalhes. Elas protestavam principalmente contra a falta de alimentos e o alto preço do pão, mas também apresentavam reivindicações políticas.

A manifestação obrigou Luís XVI e sua família a deixarem Versalhes e instalarem-se em Paris, onde ficariam mais próximos e submetidos à vigilância da população revolucionária.

Apesar dessa participação, as mulheres não receberam os mesmos direitos políticos dos homens.

Em 1791, Olympe de Gouges publicou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, reivindicando igualdade jurídica, acesso aos cargos públicos, direito ao voto e participação política.

O documento mostrava uma contradição da Revolução: proclamavam-se direitos universais, mas as mulheres continuavam excluídas da cidadania política. Olympe de Gouges foi guilhotinada em 1793 durante o período do Terror.

A Constituição de 1791 e a monarquia constitucional

Em 1791, foi aprovada a primeira Constituição francesa.

A França deixou de ser uma monarquia absolutista e tornou-se uma monarquia constitucional. O rei continuava existindo, mas seus poderes eram limitados por uma Constituição e por uma assembleia legislativa.

Entretanto, o sistema não estabeleceu uma democracia plena. O direito ao voto foi limitado aos chamados cidadãos ativos, homens que cumpriam determinadas exigências de renda e pagamento de impostos.

Mulheres, trabalhadores mais pobres e outros grupos permaneceram excluídos da participação eleitoral.

A fuga de Luís XVI

A relação entre o rei e os revolucionários piorou rapidamente.

Em junho de 1791, Luís XVI e sua família tentaram fugir de Paris. Eles foram reconhecidos na cidade de Varennes, detidos e levados de volta à capital.

O episódio ficou conhecido como Fuga de Varennes.

A tentativa de fuga aumentou a desconfiança de que o rei não aceitava verdadeiramente a Revolução e pretendia receber apoio de outras monarquias europeias para restaurar seus poderes.

A monarquia constitucional perdeu grande parte de sua credibilidade.

A guerra contra as monarquias europeias

Em 1792, a França entrou em guerra contra a Áustria. A Prússia juntou-se ao conflito, e outras monarquias europeias também passaram a combater a Revolução.

Os governantes europeus temiam que as ideias revolucionárias se espalhassem e estimulassem movimentos contra as monarquias de seus próprios países.

As primeiras derrotas francesas aumentaram a suspeita de que Luís XVI colaborava secretamente com os inimigos da França.

A guerra contribuiu para radicalizar a Revolução.

O fim da monarquia e a proclamação da República

Em 10 de agosto de 1792, revolucionários atacaram o Palácio das Tulherias, onde vivia a família real.

Luís XVI foi afastado e preso.

Em 21 de setembro de 1792, a Convenção Nacional aboliu a monarquia e proclamou a República Francesa.

Esse é um ponto importante para provas:

A Revolução começou em 1789, mas a República somente foi proclamada em 1792.

Nos primeiros anos revolucionários, ainda se tentou manter uma monarquia limitada por uma Constituição.

A execução de Luís XVI

Luís XVI foi acusado de traição e de conspirar contra a Revolução.

Depois de ser julgado pela Convenção, foi condenado à morte e guilhotinado em 21 de janeiro de 1793.

A execução do rei aprofundou o conflito com as monarquias europeias e tornou mais difícil qualquer retorno ao sistema político anterior.

Maria Antonieta também foi julgada e guilhotinada em outubro de 1793.

Girondinos, jacobinos e sans-culottes

Durante a República, diferentes grupos disputaram o controle da Revolução.

Girondinos

Os girondinos eram republicanos considerados mais moderados. Muitos representavam interesses de setores proprietários e temiam o crescimento da mobilização popular de Paris.

Defendiam a Revolução, mas desconfiavam de medidas muito radicais e da concentração de poder nas mãos dos grupos parisienses.

Jacobinos

Os jacobinos representavam uma posição mais radical.

Entre seus nomes mais conhecidos estavam Maximilien Robespierre, Louis Antoine de Saint-Just e Georges Danton, embora houvesse disputas entre eles.

Os jacobinos aproximaram-se dos setores populares e defenderam medidas mais rigorosas para proteger a República contra invasões estrangeiras e movimentos contrarrevolucionários.

Sans-culottes

Os sans-culottes eram trabalhadores urbanos, artesãos, pequenos comerciantes e outros integrantes das camadas populares.

Seu nome significa, literalmente, “sem culotes”. Os culotes eram calças curtas usadas pelas classes mais ricas. Os trabalhadores utilizavam calças compridas, e essa diferença no vestuário transformou-se em símbolo político.

Os sans-culottes pressionavam por alimentos mais baratos, punição aos especuladores e medidas políticas mais igualitárias.

O que foi o Período do Terror?

Entre 1793 e 1794, a França enfrentava guerras externas, revoltas internas, escassez de alimentos e disputas entre os próprios revolucionários.

Nesse contexto, a Convenção criou um governo de emergência, no qual o Comitê de Salvação Pública assumiu grande poder.

Foram aprovadas leis que permitiam a prisão e o julgamento de pessoas consideradas suspeitas de colaborar com a contrarrevolução. Tribunais especiais condenaram milhares de indivíduos à morte.

Esse período ficou conhecido como Terror.

Robespierre tornou-se uma de suas figuras mais conhecidas. Para seus defensores, as medidas excepcionais eram necessárias para salvar a República. Para seus adversários, representavam uma ditadura marcada pela perseguição política e pela violência.

O Terror atingiu antigos nobres e religiosos, mas também revolucionários que discordavam do governo.

Em julho de 1794, Robespierre foi preso e guilhotinado. Sua queda marcou o enfraquecimento do governo radical e o começo da chamada Reação Termidoriana.

A Revolução Francesa foi apenas violenta?

A violência foi uma característica importante do período, mas resumir toda a Revolução à guilhotina seria um erro.

A Revolução também envolveu debates políticos, eleições, elaboração de constituições, criação de jornais, formação de clubes, divulgação de ideias e participação popular.

Ao mesmo tempo, não se deve ignorar que perseguições, guerras, massacres e execuções fizeram parte do processo.

Uma questão de vestibular pode apresentar justamente essa contradição: a Revolução defendia direitos e liberdade, mas, em determinados momentos, criou governos de exceção e restringiu liberdades em nome de sua própria defesa.

A questão da escravidão e das colônias

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão afirmava princípios de liberdade e igualdade, mas a escravidão continuava existindo nas colônias francesas.

Em São Domingos, atual Haiti, pessoas escravizadas iniciaram uma grande revolta em 1791. O movimento relacionava-se ao contexto revolucionário, mas possuía dinâmica própria e questionava a aplicação limitada dos direitos proclamados na França.

Em 1794, a República Francesa aboliu a escravidão em suas colônias. A medida seria revogada por Napoleão Bonaparte em 1802. Em 1804, São Domingos tornou-se o Haiti, primeira república formada a partir de uma revolução de pessoas escravizadas.

Esse assunto pode aparecer em vestibulares para mostrar que a Revolução Francesa fazia parte de uma transformação maior no chamado mundo atlântico, que envolvia Europa, América, colonialismo e escravidão.

O Diretório

Em 1795, uma nova Constituição criou o Diretório. O Poder Executivo ficou nas mãos de cinco diretores, enquanto o Legislativo foi dividido em duas câmaras.

Depois da queda de Robespierre, os setores mais moderados assumiram o poder.

O novo regime pretendia evitar tanto a volta da monarquia quanto outra concentração de poder semelhante à ocorrida durante o Terror.

Entretanto, o Diretório enfrentou crises econômicas, corrupção, conflitos políticos, revoltas populares e tentativas de restauração monárquica. O governo passou a depender cada vez mais do Exército para permanecer no poder.

Como terminou a Revolução Francesa?

A data convencionalmente utilizada para marcar o fim da Revolução é 9 de novembro de 1799.

Nesse dia, correspondente ao 18 de Brumário no calendário revolucionário, Napoleão Bonaparte participou de um golpe de Estado que derrubou o Diretório e criou o Consulado.

Napoleão tornou-se primeiro-cônsul e concentrou progressivamente o poder.

O golpe encerrou a experiência política do Diretório e abriu uma nova etapa da história francesa, que levaria ao Império Napoleônico.

A Revolução Francesa foi uma revolução burguesa?

Nos materiais escolares, a Revolução Francesa é frequentemente classificada como uma revolução burguesa.

Essa interpretação destaca que a burguesia lutou contra os privilégios do Antigo Regime e ajudou a estabelecer princípios importantes para o desenvolvimento da sociedade liberal, como:

  • igualdade perante a lei;
  • proteção da propriedade privada;
  • liberdade econômica;
  • constituições;
  • representação política;
  • fim dos privilégios de nascimento.

Essa classificação é útil, mas não conta toda a história.

Camponeses, trabalhadores urbanos, mulheres, soldados, religiosos, pequenos proprietários e pessoas escravizadas nas colônias também participaram dos conflitos revolucionários.

Além disso, os historiadores discutem até que ponto a Revolução pode ser explicada principalmente como um conflito entre classes. Interpretações mais recentes também enfatizam a crise do Estado, as disputas políticas, a cultura revolucionária e a perda de autoridade da monarquia.

Em uma questão de vestibular, é adequado dizer que ela teve forte liderança e influência burguesa, mas contou com ampla e decisiva participação popular.

Principais consequências da Revolução Francesa

A Revolução provocou transformações profundas na França e influenciou outros países.

Entre suas principais consequências estão:

Fim dos privilégios do Antigo Regime: a sociedade deixou de ser juridicamente dividida em ordens privilegiadas.

Enfraquecimento do absolutismo: o poder real passou a ser questionado por constituições e pelo princípio da soberania nacional.

Igualdade jurídica: difundiu-se a ideia de que os cidadãos deveriam estar submetidos às mesmas leis.

Fortalecimento da cidadania: o indivíduo passou a ser considerado portador de direitos políticos e civis, embora esses direitos ainda fossem limitados.

Divulgação dos direitos individuais: liberdade de opinião, propriedade, segurança e resistência à opressão tornaram-se princípios políticos importantes.

Expansão do liberalismo: governos constitucionais, representação política e direitos individuais ganharam espaço.

Crescimento do nacionalismo: a mobilização para defender a França revolucionária fortaleceu a ideia de nação.

Reorganização administrativa: a Revolução alterou a administração francesa, as divisões territoriais e as relações entre Estado e Igreja.

Influência internacional: os princípios revolucionários espalharam-se pela Europa e pelas Américas, especialmente durante as guerras revolucionárias e napoleônicas.

A Revolução realizou plenamente seus ideais?

Não.

A Revolução destruiu antigas estruturas e proclamou direitos fundamentais, mas muitos grupos continuaram excluídos.

As mulheres não conquistaram direitos políticos iguais. O voto foi limitado em diferentes fases. A escravidão permaneceu durante parte do processo e, mesmo depois de abolida em 1794, foi restaurada por Napoleão.

Também continuaram existindo desigualdades econômicas entre ricos e pobres.

Além disso, a tentativa de proteger a Revolução produziu perseguições, censura, tribunais especiais e execuções.

Por isso, a Revolução Francesa deve ser estudada tanto por seus avanços quanto por suas contradições.

Datas fundamentais para o vestibular

1789: início da Revolução Francesa.

5 de maio de 1789: abertura dos Estados Gerais.

17 de junho de 1789: formação da Assembleia Nacional.

20 de junho de 1789: Juramento do Jogo da Péla.

14 de julho de 1789: Tomada da Bastilha.

4 de agosto de 1789: abolição dos privilégios feudais.

26 de agosto de 1789: Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

1791: primeira Constituição francesa e estabelecimento da monarquia constitucional.

1791: tentativa de fuga de Luís XVI.

10 de agosto de 1792: queda da monarquia.

21 de setembro de 1792: proclamação da República.

21 de janeiro de 1793: execução de Luís XVI.

1793–1794: fase mais intensa do Terror.

1794: queda de Robespierre.

1795–1799: Diretório.

9 de novembro de 1799: Golpe do 18 de Brumário e ascensão de Napoleão Bonaparte.

O que costuma aparecer nas provas?

Em uma possível questão de vestibular, é importante lembrar:

A Revolução Francesa não foi causada por um único acontecimento. Ela resultou da crise financeira, dos privilégios sociais, da alta dos alimentos, da crise política e das novas ideias iluministas.

A Tomada da Bastilha foi importante principalmente por seu valor político e simbólico.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão defendia liberdade, igualdade jurídica e soberania nacional.

A Revolução começou com tentativas de reformar a monarquia, e não com a criação imediata de uma República.

A República foi proclamada somente em setembro de 1792.

O Terror aconteceu em um contexto de guerras externas, revoltas internas e disputas entre grupos revolucionários.

A Revolução contou com liderança burguesa, mas também com intensa participação de camponeses, trabalhadores urbanos e mulheres.

A ascensão de Napoleão em 1799 costuma ser utilizada como o marco final do processo revolucionário.

Referências

ASSEMBLÉE NATIONALE. 1789–1799: La Révolution française. Síntese oficial sobre os principais acontecimentos, da convocação dos Estados Gerais ao Diretório.

ASSEMBLÉE NATIONALE. La Déclaration des droits de l’homme et du citoyen. Histórico da elaboração e dos princípios da Declaração de 1789.

ASSEMBLÉE NATIONALE. Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne — Olympe de Gouges. Material histórico sobre as reivindicações políticas e jurídicas das mulheres.

VIE PUBLIQUE — RÉPUBLIQUE FRANÇAISE. La Révolution: vers la première Constitution française, 1789–1791. Conteúdo sobre a Assembleia Nacional, o Juramento do Jogo da Péla e a Constituição de 1791.

VIE PUBLIQUE — RÉPUBLIQUE FRANÇAISE. De la démocratie de l’an I à la dictature de la Convention, 1792–1795. Material sobre a Convenção, o Comitê de Salvação Pública e o Terror.

VIE PUBLIQUE — RÉPUBLIQUE FRANÇAISE. Constitution de l’an III: le moment méconnu du Directoire, 1795–1799. Estudo sobre a estrutura do Diretório e o Golpe do 18 de Brumário.

CHÂTEAU DE VERSAILLES. Versailles au cœur de la Révolution française. Histórico dos Estados Gerais, do Juramento do Jogo da Péla e das primeiras decisões revolucionárias.

CHÂTEAU DE VERSAILLES. Summoning of the Estates General, 1789. Informações sobre a crise financeira e a convocação dos Estados Gerais.

ÉDUSCOL — MINISTÈRE DE L’ÉDUCATION NATIONALE. Le XVIIIe siècle: expansions, Lumières et révolutions. Material didático sobre Iluminismo, Revolução Americana, crise do absolutismo e heranças da Revolução Francesa.

ÉDUSCOL — MINISTÈRE DE L’ÉDUCATION NATIONALE. L’Amérique et l’Europe en révolution, des années 1760 à 1804. Material sobre as revoluções francesa, americana e de São Domingos.

BIBLIOTHÈQUE NATIONALE DE FRANCE. À Versailles, à Versailles. Documento sobre a marcha das mulheres a Versalhes, em outubro de 1789.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *